24.1.13

:: Parabéns São Paulo, hoje é seu aniversário ::

Parabéns, hoje é seu aniversário.
Hoje, 25 de janeiro de 2012, mais precisamente 6h20 horas, olhei para o relógio e pensei: hoje vou poder dormir até tarde mas, contrariando minhas expectativas, não sei porque cargas d'água levantei-me cedo e como que guiada por uma força maior abri a janela do meu quarto para vislumbrar a paisagem.
Deparei-me com uma cidade envolta em uma suave bruma cinzenta, parecendo o "fog" de Londres, que aos poucos foi se dissipando em função do sol que vinha sorrateiro entre as nuvens, tomando conta do pedaço, soltando nesgas, ora alaranjadas, ora prateadas, mostrando um espetáculo digno de sua magnitude, como que para anunciar o aniversário dessa jovem senhora amada pela grande maioria de seus filhos chamada São Paulo.

 


Debruçada no parapeito da janela, olhava em direção à Rodovia Presidente Dutra, outra respeitosa senhora responsável pelo progresso da primeira, que fica a uns 200 m do meu apartamento; e lá estavam eles, incontáveis veículos em um vai e vem frenético, mesmo no feriado, todos apressados, sabe-se lá para chegar onde, neste dia tão convidativo à meditação e à preguiça.
O céu dava seu espetáculo a parte, vestido de azul, cinza e prata parecia um rebanho de carneirinho, em uma composição harmoniosa e digna de uma pintura de Michelangelo, quebrada somente por três balões que cruzavam o céu ao longe e que insistiam, apesar de proibidos, em exibir bandeiras gigantes em homenagem a nossa cidade. Lembrei-me de anos anteriores, onde essa prática era comum e o céu ficava forrado de pontos coloridos e de várias formas, sorrateiros e que plainavam disputando o espaço com os aviões e que era ao mesmo tempo extasiante e perigoso, pois nunca sabíamos onde eles iriam pousar e o que poderiam causar.
Chamei meu esposo para vislumbrar comigo aquela paisagem bucólica e ao mesmo tempo surpreendente, onde a engenharia vertical tomou conta do nosso horizonte. Prédios e mais prédios erguidos em um piscar de olhos, trouxeram-me a lembrança de outro tipo de paisagem que havia no mesmo lugar, Parque Novo Mundo, Penha, Tatuapé, Belém etc. onde o horizonte encontrava-se com o céu e da janela do quarto de meus pais na antiga casa da Rua dos Samurais, meu pai e eu ficávamos até tarde, em uma brincadeira ingênua e que eu adorava, contando um a um os carros que passavam pela Dutra, hoje uma brincadeira impossível dado o volume de carros que ali trafegam formando um cordão ininterrupto como formigas levando sua coleta para o formigueiro. Essa é a conta que pagamos pelo progresso.
O sol finalmente abriu caminho por entre as nuvens, senti o seu calor em minha pele, ele veio saudar com sua imponência a nossa metrópole que não para nem no seu aniversário. “Bom dia sol! Um bom dia amigos. Bom dia São Paulo que amanhece trabalhando, parabéns minha velha e nova cidade, cheia de amor, fraternidade, compreensão, afago, paciência, um coração enorme que aceita a todos, pobres, ricos, velhos e jovens de todas as raças, crenças e etnias, sem discriminação. Afinal 459 não é todo dia que se faz!”
E-mail: depaula.artes@ig.com.br

Autor(a): Sônia Maria de Paula | história publicada em 24/01/2013

São Paulo Minha Cidade

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