14.12.14

Pascoal Meirelles: “É um crime tocar música instrumental?!”

Com 50 anos de carreira, o baterista lamenta o abandono da mídia ao gênero tão popular dos anos 1960 a 1980

Victor Santos11/12/2014 19:08, atualizada às 12/12/2014 16:55

Pascoal Meirelles, 50 anos na estrada. Fot: Arquivo Pessoal/Facebook

Pascoal Meirelles, 50 anos na estrada. Foto: Arquivo Pessoal/Facebook

O álbum 50 celebra uma longa trajetória do baterista, compositor e arranjador, Pascoal Meirelles. Nascido em Belo Horizonte, começou sua carreira no início dos anos 1960, quando tocava em bailes da noite mineira, na capital e no interior.  Na época, fazia parte de duas bandas, O Tempo Trio — que seguia o modelo dos combos de Bossa Nova com piano, baixo e bateria — e um grupo de baile, um quinteto com Milton Nascimento no baixo e nos vocais. Em 1966, o Tempo Trio foi contratado para gravar seu único álbum pela EMI/Odeon, no Rio de Janeiro. 

Passado pouco tempo, Pascoal foi morar no Rio de Janeiro, em uma casa que ficava na rua atrás do Canecão, tradicional casa de shows carioca. Na transição dos anos 1960 para os 70, o baterista se envolveu definitivamente com o cenário musical, não só em conjuntos musicais, mas também em muitas gravações, além de acompanhar grandes músicos da época. Desenvolveu seutrabalho, principalmente, junto a dois grandes nomes da época, um deles o pianista Osmar Milito, que trabalhou bastante no desenvolvimento de trilhas sonoras para a televisão, o outro é o clarinetista e saxofonista Paulo Moura (leia), que, entre outras colaborações, levou Pascoal para tocar com Maysa Matarazzo no Canecão, em 1969.

Nessa época, participou da gravação de diversos álbuns, entre eles está o renomado disco de Arthur Verocai, de 1972 (leia sobre o disco), e o álbum Caça a Raposa de João Bosco, gravado em 1975 (Veja a entrevista que o músico concedeu à Brasileiros em 2012). Neste mesmo ano, começou seus estudos na Universidade de Berklee, na cidade de Boston, em Massachussets (EUA), onde aprimorou sua técnica e desenvolveu seu lado acadêmico. Durante sua estadia no exterior foi convidado para gravar o álbum Terra Brasilis, de Tom Jobim, em Nova York.