14.6.12

Quinteto da Juilliard School e Guri fazem concertos


A Orquestra de Cordas Infanto-Juvenil do Guri, programa de formação musical e inclusão sociocultural do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, toca neste fim de semana com o Quinteto de Cordas da Juilliard School em dois concertos gratuitos: dia 16 de junho, sábado, às 15h, no CEU Três Lagos, e dia 17 de junho, domingo, às 11h, no Teatro Tucarena.
As apresentações fazem parte de parceria da Juilliard School com a Santa Marcelina Cultura, organização social responsável pela gestão do Guri na capital e Grande São Paulo. Esse é o terceiro ano de parceria entre as duas instituições, na qual o Quinteto de Cordas da Juilliard participa de atividades artístico-pedagógicas, como concertos didáticos, master classes e aulas. "Um dos principais objetivos da parceria é reunir a excelência de ensino musical da Juilliard School com a experiência sociopedagógica que o Programa Guri desenvolve desde 2008", comenta Ricardo Appezzato, coordenador pedagógico do Guri.
Os dois concertos trazem ao público um repertório diversificado. Na abertura, a peça "Tollite Hostias", do francês Camille Saint-Saëns, criado originalmente para coral e adaptado para orquestra de cordas. Em seguida, os grupos apresentarão "The Evil Eye and the Hideous Heart", de Alan Lee Silva. O encerramento fica por conta da obra clássica "Eine Kleine Nachmusik", de Mozart.
Segundo Appezzato, esse encontro enriquece a formação tanto dos jovens brasileiros, quanto dos músicos da Juilliard. "É uma grande oportunidade para os alunos da Orquestra de Cordas poder ensaiar e se apresentar junto a músicos de uma instituição que é referência mundial. Esse intercâmbio promove uma intensa troca de experiências, em que os músicos americanos também assimilam um pouco da cultura e realidade brasileiras", explica.
A Orquestra de Cordas do Guri está ativa desde 2010, quando foi criada dentro de um projeto maior que é a constituição dos grupos infantis e juvenis do Guri. Já foi regida por Lutero Rodrigues e atualmente tem à frente a regente Aline Sardão, supervisora pedagógica do Guri, com experiência na Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE) e em corais.
Considerado um dos mais importantes conservatórios de música do mundo, a Juilliard School é também referência internacional na formação de profissionais de instrumentos de cordas. Renee Fleming, James Levine, Yo Yo Ma e Itzhak Perlman são alguns dos que já estudaram na escola. O Quinteto de Cordas da Juilliard é formado atualmente pelos alunos de mestrado Emma Sutton e Doori Na (violino), Jessica Garand (viola), Andrew Roitste (contrabaixo), acompanhados pela professora orientadora Claire Bryant (violoncelo).
SERVIÇO
Orquestra de Cordas do Guri e Quinteto de Cordas da Juilliard School
Data: 16 de junho, sábado
Horário: 15h
Local: CEU Três Lagos
Endereço: estrada Barro Branco, s/nº, Grajaú, São Paulo
Faixa etária: livre
Gratuito
Data: 17 de junho, domingo
Horário: 11h
Local: Teatro Tuca
Endereço: r. Monte Alegre, 1.024, Perdizes, São Paulo
Capacidade: 672 lugares
Faixa etária: livre
Gratuito


FOLHA.Com
http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/1104775-quinteto-da-juilliard-school-e-guri-fazem-concertos.shtml

AULA DE BATERIA em Tupã

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Música e identidade: a canção dos homens

Curiosidades da Música

Faz poucos dias, deparei-me com um texto da poetisa africana Tolba Phanem que, de modo simples e direto, externa algo que me deixou pensativo.
“Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a “canção da criança”Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe cantam sua canção.Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção. Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e,igual como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na viagem.
Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.Então lhe cantam a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo;é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Teus amigos conhecem a “tua canção” e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quando te sentes feio, tua totalidade quando estás quebrado. tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.”
O texto – que evidencia o valor e grandeza do coração africano – reforça a certeza do valor do ser humano, que independe de sua raça, língua, valores econômicos, prestígio, saúde, cor ou crenças. O valor é sagrado, como a canção que o acompanha. Escolhi também uma canção, uma música, que começará a me acompanhar. Quando o peso das dificuldades ou a alegria da vida chegarem mais perto, lembrarei o que sou. E, embora ainda não o seja, lembrarei também ao que fui criado para ser. Fica o convite.

11.6.12

Festival de Música Instrumental de Teresina tem inscritos do MA e PE


O Festival de Música Instrumental de Teresina tem apenas dois anos e já começa a se consolidar na região nordeste. Com alguns dias de inscrições, 10 alunos do Maranhão já realizaram reservaram suas vagas nas oficinas, além de alguns de Recife-PE. Quem ainda não realizou a sua, tem até o dia 28 de junho para fazê-la.
O evento é uma promoção da Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e ocorrerá de 02 a 08 de julho, com oficinas e shows de grandes nomes da música brasileira no Teatro do Boi, Palácio da Música, Casa da Cultura e Escola de Música de Teresina.
Em grandes cidades brasileiras, tem-se o costume de realizar oficinas de música para profissionalizar os profissionais deste campo artístico. Tais cursos, além de trazer cultura e conhecimento ao povo, atraem turistas que movimentam, em vários sentidos, a capital.
As inscrições para as oficinas podem ser feitas na sede da FMC, Rua Félix Pacheco, 1430, Centro/Sul, junto à Coordenação de Música, através do preenchimento de ficha de inscrição disponível no site oficial da FMC – www.fcmc.pi.gov.br. A taxa de inscrição para uma das oficinas é de R$ 30, e para duas é de R$ 50.
Os cursos serão nos seguintes locais e horários:
MANHÃ
Guitarra II (intermediário), com André de Sousa (PI) – EMT, das 8h às 12h
Harmonia e Improvisação, com Thiago Cabral (PI) – EMT, das 8h às 12h
Piano, com Tiago Costa (SP) – EMT, das 8h às 12h
Percussão, com Marcos Suzano (RJ) - Casa da Cultura, das 8h às 12h
Arranjo para Banda de Música, com Antônio Carlos Rocha (PI) - Palácio da Música, das 8h às 12h
TARDE
Baixo, com Scott Thompson (EUA) – EMT, das 14h às 18h
Bateria, com Edu Ribeiro (SP) – EMT, das 14h às 18h
Guitarra I (avançado), com Chico Pinheiro (SP) – EMT, das 14h às 18h
Saxofone, com Sérgio Galvão (DF) - Palácio da Música, das 14h às 18h
Trombone, com Gilmar Ferreira (RJ) - Palácio da Música, das 14h às 18h
Trompete, com Altair Martins (RJ) - Palácio da Música, das 14h às 18h
Canto, com Débora Oliveira (profª UFPI) - Casa da Cultura, das 15h às 17h

redacao@cidadeverde.com

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O MÚSICO POPULAR BRASILEIRO, SUA REALIDADE E O ESTUDO FORMAL DE MÚSICA



O MÚSICO POPULAR BRASILEIRO, SUA REALIDADE E O ESTUDO FORMAL DE MÚSICA

O MÚSICO POPULAR BRASILEIRO, SUA REALIDADE E O ESTUDO FORMAL DE MÚSICA

Ainda é comum na sociedade brasileira o conceito de que o músico já nasce feito. Que não é possível a um indivíduo qualquer se dedicar ao aprendizado e prática de um instrumento – incluindo a voz como tal – com exercícios regulares que lhe permitam o domínio das técnicas, e aquisição de vocabulário e de diferentes “linguagens” do mesmo.
Esta dedicação é encarada com naturalidade pela sociedade em casos específicos: quando se trata do esforço cotidiano de superação dos músicos eruditos em estágios avançados de domínio de um instrumento, ou, no campo popular, nos casos de indivíduos que atuem junto a artistas com grande apelo na mídia, com vários trabalhos envolvidos em grandes eventos musicais da cena nacional. Com um alto nível de comprometimento com esses “grandes artistas”, e com a responsabilidade de exercer bem a profissão e honrar compromissos de tamanha importância comercial, é justo que as pessoas se dediquem a estudos mais profundos dos elementos da música – pensa o brasileiro de uma forma geral.
Realmente o povo brasileiro é muito musical, e isso acaba involuntariamente corroborando aquele pensamento.
Embora o Estado brasileiro seja omisso e não apresente uma política séria no que diz respeito à educação musical do nosso povo – onde os fundamentos do ensino de música e o próprio processo de musicalização ajudariam significativamente na formação de uma identidade cultural mais forte e consciente – é comum e natural que surjam, em todas as partes do Brasil, e a todo momento, pessoas com um talento musical incrível e uma capacidade singular de interpretação.
Todos conhecemos exemplos de excelentes artistas autodidatas, com um jeito único de expressar a sua musicalidade dentro dos mais variados gêneros, do Bolero ao Rock. Muitos têm origem humilde e, através de trabalhos com a música, consolidam seus nomes no competitivo mercado da área; alcançam sucesso profissional e financeiro desenvolvendo, na prática, um cabedal de conhecimentos intuitivos que abrangem os elementos musicais utilizados dentro da(s) “linguagem(ns)” Como esses artistas ensaiam muito o repertório com o qual trabalham, alcançam resultados práticos expressivos, principalmente no que tange ao domínio do vocabulário musical do gênero em que atuam, e às diferentes formas que constituem o mesmo, tornando-se legítimos representantes da arte que levam a público, pois passam a sua mensagem “com verdade”!
Quando tratamos então de autodidatas que tocam a chamada música popular “de raiz”, como o Samba e o Baião, é legítimo que considerem suficiente aquele conjunto de conhecimentos técnicos adquiridos empiricamente, praticando em grupo, ou mesmo sozinhos (acompanhando-se com um instrumento harmônico), para realizar aquela “linguagem” responsável pela integração deles com a música e com o mundo do trabalho, que configura a sua realidade musical ou a do meio em que vive.
Mas e se, por hipótese, fosse dada a estes talentosos músicos a oportunidade de estudar música em seus fundamentos teóricos: harmonia, subdivisões rítmicas; de terem acesso a um ensino sistematizado que oferecesse uma oportunidade formal de aprimorarem-se tecnicamente nos seus instrumentos, a ponto de explorar melhor suas possibilidades e tornarem-se mais expressivos naquela(s) “linguagem(ns)” que já dominam, abrindo suas mentes para outras possibilidades artísticas que vêm com o caminhar do aprendizado?
Há entre nós o mito de que música não se estuda, e de que, nos casos de músicos com formação autodidata, isto levaria ao embotamento da expressividade espontânea e criativa destes. É uma avaliação que ouvimos não só de leigos no assunto, mas também de grande parte dos músicos em questão.
Sinceramente, nunca vi ou ouvi falar de alguém que, por ter passado a estudar técnica de algum instrumento, tenha “travado” seu modo de tocar ou se transformado num músico “duro”, sem suingue, frio e calculista em relação ao talento natural de outrora.
Há casos em que excelentes instrumentistas eruditos mostram-se pouco à vontade interpretando peças populares, apresentando uma condução “dura” do tema, comprometendo a fluência e o suingue da “linguagem popular”.
Músicos populares também enfrentam dificuldades com eventuais despreparos técnicos em relação à linguagem erudita, que requer significativa destreza em passagens cujas articulações/ digitações são realizadas em frações exíguas de tempo, com precisão de metrônomo, além de outras particularidades que dificultam as adaptações de músicos de parte a parte.
Contudo, quando o indivíduo gosta de fazer música, e chega a conclusão de que não existe gênero musical bom ou ruim, e sim músicas boas ou ruins nos diversos gêneros musicais que se tem acesso e com os quais se trabalha, fica difícil não se interessar por um estudo mais aprofundado dos seus elementos estruturais e das suas diversas possibilidades de expressão.
Acredito que o modo autodidata é o meio mais interessante de se começar a tocar um instrumento ou cantar. Foi primordial, no meu caso, acumular algumas experiências que tive ao me trancar no quarto para tocar junto com os discos que gostava de ouvir e que avaliava ser possível acompanhar tecnicamente na ocasião. Desenvolver as levadas , tocar junto com outros instrumentos gravados, sobretudo tocar ouvindo as nuances e dinâmicas dos instrumentos e vozes dos discos era, e ainda é, uma experiência maravilhosa e enriquecedora para os músicos, principalmente iniciantes.
Porém, após um certo tempo, que obviamente varia de pessoa pra pessoa, o músico que se interessa pela qualidade da música que faz fica aborrecido e angustiado com as suas limitações. Não se conforma com as poucas variantes que dispõe para utilizar nas mesmas situações que ocorrem na sua música, o que pode torná-lo previsível em determinadas ocasiões. Parece-me desnecessário afirmar o quanto isto é desestimulante para o músico e o artista de uma forma geral.
Só que a vida atribulada e desgastante do músico no Brasil, ou mesmo o fato de sua agenda estar lotada com eventos que denotam outras prioridades na condução de sua carreira, quando atingem um certo nível de reconhecimento e sucesso profissional, leva o sujeito a pensar que estudar música e aprender a ter consciência daquilo que faz, e do que pode fazer no palco, é perda de tempo nesta altura do campeonato.
Acontece que alguns fatos são inexoráveis para os músicos, e dentre eles há o seguinte: a partir de um certo nível técnico alcançado com um tempo considerável de “malhação” no instrumento e de experiências acumuladas “na estrada”, você consegue galgar outros patamares, se estuda com regularidade e progressão. Para manter-se no mesmo nível alcançado, é preciso estudar praticando exercícios de rotina que o levaram até aí. Se o músico simplesmente pára de estudar e não pratica nada fora de sua rotina de trabalho, “é ruim” de não descer ladeira abaixo!
Portanto, acho um desperdício quando músicos, principalmente músicos populares, não enxergam a importância de reservar um tempo, dentro da sua rotina, para o estudo teórico e prático dos fundamentos da música, assim como o aprimoramento técnico de sua performance no instrumento, qualquer que seja ele: violão, percussão, voz, etc.
Com o ser humano, isso se verifica comumente: quando gostamos mesmo de fazer uma coisa, e o fazemos com “alma”, nunca ficamos plenamente satisfeitos com as nossas possibilidades por um tempo muito longo. Quando atingimos determinada etapa e ouvimos coisas novas e instigantes acontecendo em outros lugares do Brasil e do mundo, outros trabalhos bem feitos, nos sentimos impulsionados a tentar novas fórmulas, caminhos e maneiras de se expressar sem descaracterizar a linguagem dos trabalhos em que estamos inseridos.
Não se trata de importar novos conceitos estragando o que já é bem realizado. Trata-se de dar vazão à grandeza da alma, deixando a preguiça de lado, e internalizando cada vez mais elementos que nos permitam, de maneira relaxada (sem “forçar a barra”), realizar a nossa música com várias “cartas na manga”, com um leque de opções que nos permita desafiar a mesmice e a mediocridade.
por Marcello Teixeira

http://www.percussionista.com.br/artigos/o-musico-popular-brasileiro-sua-realidade.htm>