11.4.14

As 10 músicas mais chatas de todos os tempos

Não dá para conceber a vida sem música. Deus, antes de fazer o mundo e, consequentemente, a música, deve ter sofrido à beça ensimesmado em breu e silêncio. Suponho até que o criador tivesse criado a criatura humana para que ela criasse música, ao invés de problemas. O som explosivo do “Big Bang” provavelmente terá sido o primeiro grande solo de bateria do universo, um ruído incrível à altura da performance do baterista Roger Taylor em “We will rock you”, da banda Queen.

Não dá pra sacudir o esqueleto sem música. Não dá pra fazer sexo sem música. Não dá pra seguir um séquito sem a marcha fúnebre de Chopin (o terceiro movimento da sonata número 2 para piano em si bemol menor). Não dá pra fazer churrasco sem música. Não dá pra fazer a faxina sem música. Não dá pra tomar banho sem música. Não dá pra tomar vinho sem música. Não dá pra tomar um rumo na vida sem música.

Não dá pra folhear álbuns de fotografia, se entupir de barbitúricos e fortalecer as fraquezas interiores sem ouvir a “Tocata e fuga em ré menor”, de Johann Sebastian Bach. Não dá pra curtir a solidão sem música, principalmente, se ela for a dois. Não dá pra dançar de cuecas na sala de estar, quando ninguém está por perto, sem música. Não dá pra multidão aflita suplicar a Deus que os acuda sem música, música bem alta, diga-se de passagem, pois o céu… ah!… o céu fica longe, gracinha.

Por outro lado, os brutos que também amam têm lá as suas preferências musicais, até mesmo nos momentos de bruteza quando nem de perto estão dispostos a amar (quando muito, demonstram algum afeto por alicates, paus-de-arara e fios desencapados). Dá pra torturar, arrancar a orelha de um prisioneiro ouvindo música: tente assistir à impressionante cena em que Mr. Blond (personagem de Michael Madsen) castiga um policial ao som de “Stuck in the middle with you”, da banda Stealers Wheel, no instigante filme “Cães de Aluguel”, de Quentin Tarantino.

9.4.14

15 músicas que são diamantes para os ouvidos

Cartola

Após apontar 15 filmes que são “diamantes para o cérebro”, fui convidado novamente pelo editor da Bula a elaborar nova lista, desta vez baseada na música nacional. Aceitei de bom grado a proposta, pois creio que as listas constituem um referencial útil ao leitor, que assim pode descobrir tal ou qual artista, ou simplesmente saber um pouco mais de uma obra que, já apreciando, passa a dimensionar sua importância com um pouco mais de profundidade.

Sendo assim, foi movido pelo desejo de compartilhar referências musicais que elaborei esta lista de 15 músicas brasileiras. São composições que me agradam do ponto de vista estético, a denotarem meu gosto peculiar na avaliação das obras (que não é melhor nem pior que o do leitor, é apenas meu). A lista, não custa reforçar, é sempre uma proposta limitada. Obviamente, 15 canções não permitem uma abrangência ampla da música produzida num País culturalmente tão pujante quanto o Brasil. Portanto, é natural que o leitor sinta falta de obras de sua preferência. Tanto mais porque, tal qual procedi na lista de filmes, aqui também, deliberadamente, optei por combinar composições icônicas, sempre referidas nas listas de melhores músicas brasileiras, a outras nem tão prestigiadas assim (a meu ver, injustamente). Também não tive medo de fundir estilos. A lista vai do samba ao rock, da valsa à música sertaneja. Finalmente, as composições não estão dispostas numa ordem de valor artístico intrínseco, de modo que a primeira, de acordo com a minha escala de julgamento, não é melhor do que a última. Apenas são composições da música popular brasileira de que gosto e a respeito das quais decidi escrever breves comentários, indicando sua ouvida ao leitor da Revista Bula. Afinal, boas músicas, da mesma maneira que bons livros e bons filmes, são diamantes para o cérebro.

1 — O Mundo é um Moinho, de Cartola

http://www.revistabula.com/wp/wp-content/uploads/2014/01/O-mundo-é-um-moinho.mp3

Canção de abertura de um dos melhores discos de samba já gravados (“Cartola II”, de 1976), “O Mundo é um Moinho” dá a exata dimensão da genialidade de Cartola. Ao aconselhar a filha, que afirmava o desejo de sair de casa para se prostituir, consagrou em versos o anúncio pungente de um mundo perigoso, nem um pouco acolhedor. O moinho é a máquina pesada da vida, que não hesita em triturar os sonhos, que não apieda as ilusões de quem, inda muito jovem, é incapaz de avaliar a gravidade das consequências de suas próprias decisões. Embora tenha escrito o samba para a enteada, arrisco-me a dizer que o próprio Cartola foi vítima desse moinho impiedoso, já que só na velhice o sambista obteve o reconhecimento de público e crítica merecidos, após uma vida de muita pobreza no Rio de Janeiro.

2 — Brasil Pandeiro, de Assis Valente

8.4.14

As 15 melhores músicas brasileiras de todos os tempos

Entre os meses de março e outubro pedimos aos leitores, colaboradores, seguidores do Twitter e Facebook que apontassem quais são as 15 melhores músicas brasileiras de todos os tempos.

Cento e noventa e quatro músicas foram citadas. Destas, 33 obtiveram mais de 30 votos. São elas: “Águas de Março” e “Como Nossos Pais”, Tom Jobim/Elis Regina; “Alegria, Alegria”, “Felicidade” e “Sampa”, Caetano Veloso;  “Aquarela do Brasil”, Francisco Alves; “Asa Branca”, Luiz Gonzaga; “Carinhoso”, Marisa Monte e Paulinho da Viola; “Chega de Saudade” e “Desafinado”, João Gilberto; “Como Uma Onda”, Lulu Santos; “Construção” e “Apesar de Você”, Chico Buarque; “Detalhes”, Roberto Carlos; “Eu Sei Que Vou Te Amar”, Vinícius de Moraes; “Garota de Ipanema”, Pery Ribeiro; “Ideologia”, Cazuza; “Insensatez”, Tom Jobim; “Inútil”, Ultraje a Rigor; “Me Chama”, Lobão; “O Mundo é um Moinho”, Cartola; “Ouro de Tolo” e  “Metamorfose Ambulante”, Raul Seixas; “Panis et Circenses”, Os Mutantes; “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, Geraldo Vandré; Primavera, Tim Maia; “Rosa de Hiroshima”, Secos & Molhados; “Sá Marina”, Wilson Simonal; “Travessia”,  Milton Nascimento; “Trem das Onze”, Demônios da Garoa; “Vapor Barato”, Gal Costa.
Vale ressaltar que as músicas estão listadas pelos nomes dos intérpretes e não dos compositores.
A partir da primeira seleção, foi elaborada uma nova lista com as 15 canções que obtiveram mais citações. Com o objetivo de dar maior amplitude à pesquisa foi adotado como critério a inclusão de apenas uma música por intérprete, já que alguns nomes, baseados na enquete, emplacariam mais de uma canção entre as 15 selecionadas.
Discutível como qualquer lista de melhores, esta também não pretende ser abrangente e reflete apenas a opinião dos participantes da enquete.
1 — Eu Sei Que Vou te Amar —  Maria Creuza e Vinícius de Moraes