18.6.12

Um coletivo de sons e estilos musicais diferentes

ROGER MARZOCHI - Agência Estado
Um projeto para divulgar o trabalho de músicos independentes da cena paulistana já pode entrar para a lista dos melhores discos lançados em 2012: "Coletivo Urbano - Volume 1", que foi apresentado ao público neste fim de semana na cidade. São nove músicas inéditas, soando rap, pop, choro, blues e rock.
O projeto foi idealizado pelos músicos Thiago Big Rabello e Rafa Barreto, com financiamento do Programa de Ação Cultural (ProAc), do governo do Estado de São Paulo. "Nossa intenção era divulgar o trabalho de cada um, e não fazer uma simples coletânea. Queremos agora fazer os volumes 2 e 3 porque muita gente ficou de fora", explica Big. "Queremos mostrar quem está em São Paulo, seja quem está fazendo forró ou heavy metal. É bem aberto para qualquer estilo de música, e estamos em busca de patrocinadores para as próximas edições."
A primeira edição do projeto é primorosa, com todas as oito faixas com grandes arranjos, e muita poesia e balanço. Apesar de conter diversos estilos musicais, há uma homogeneidade em todas as faixas por causa de sua atualidade e qualidade. Big atribui isso à liberdade de os artistas apresentarem suas músicas da forma como eles haviam imaginado.
Rafa e Thiago fizeram convites a muitos compositores que se apresentam em espaços culturais pequenos, em guetos, e receberam algumas músicas já prontas e outras a serem concluídas. O disco abre com "Ela é Favela", um ótimo rap de Lurdez da Luz, Eduardo Brechó, Jairo Pereira e Xênia França. Eduardo, Lurdez e Xênia se dividem nos vocais.
Rafa lembra de ter ouvido Lurdez no Auditório Ibirapuera no projeto "Na Mira da Música Brasileira" e adorou o som da moça, MC com um rap sob forte influência da música brasileira, que começou sua carreira em 2000. "Ao ouvi-la, fiquei impressionado. Quando surgiu o projeto, falei com ela por e-mail. Só a conheci no dia da gravação", lembra Rafa.
Na sequência, vem Manu Maltez com "Ontem Pulei do Viaduto", um rock urbano que fala sobre a neurose da cidade de São Paulo; Daniela Gurgel, com o blues "Gosto do Asfalto", que ficou nos extras do seu DVD "Viadutos", mas que ainda não tinha registro em disco; o forró-baião "Laranja", numa parceria frutificante de Danilo de Moraes com o violinista Ricardo Herz; "Lesbian Choro", um choro muito divertido de Kiko Dinucci; "Eu Tenho Pressa", um ótimo rock progressivo nordestino de Gil Duarte e sua banda Sistema Asimov de Som.
Já "Armada" é um pop muito bom que surgiu na parceria de Fernando Barros e Tatiana Parra; "Não Vás, Preta", um pop moderno belíssimo de Márcia Castro da música de Tiganá Santana; e, por fim, "Revolução de Jasmin", de Rafa Barreto, inspirada na revolta na Tunísia que gerou a Primavera Árabe, com a ajuda da tecnologia. "Eu tenho refletido muito a questão da internet, do poder que essa ferramenta tem de derrubar um presidente. Não sei se nos demos conta do poder desse negócio. A internet transformou o usuário, o público, em gerador de conteúdo", diz Rafa.
Ele conta que o projeto é como se fosse um documentário de sons. O resultado pode ser baixado da web grátis pelo site www.coletivourbano.com. "É um documentário auditivo, no qual o artista gravou do seu jeito, não teve um produtor. Agora, o público decide de qual estilo de música ele gosta. Até por isso, tivemos a ideia de liberar para download gratuito." As informações são do Jornal da Tarde

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