1.8.11

Baião - Curiosidades

BAIÃO

Dança popular muito preferida durante o século XIX no nordeste do Brasil. Falando sobre as danças, escreveu Rodrigues de Carvalho: "No norte do Brasil: a ciranda, São Gonçalo, maracatu, rolinha-doce-doce, o baião, que é o mais comum entre a canalha, e toma diversas modalidades coreográficas" (Cancioneiro do Norte 71, segunda edição, Paraíba do Norte, 1928). O mesmo que baiano (ver Baiano). O mesmo que rojão. Pequeno trecho musical executado pelas violas nos intervalos do canto no desafio (Luís da Câmara Cascudo, Vaqueiros e Cantadores, 143-144). Ver Rojão. A partir de 1946 o grande sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga divulgou pelas estações de rádio do Rio de Janeiro o baião, modificando-o com a inconsciente influência do local dos sambas e das congas cubanas. O baião vitorioso em todo ao Brasil, conserva células rítmicas e a melódicas, visíveis de cocos, a rítmica (de percussão) com a unidade de compasso exclusivamente par. O maestro Guerra Peixe registrou como características melódicas: Escala de dó a dó - a) todos os graus naturais; b) com o sétimo grau abaixado (si bemol); c) com o quarto grau aumentado (fá sustenido); d) com qualquer mistura de dois dos modos anteriores, ou mesmo os três; e) algumas vezes em modo menor clássico europeu; f) raramente no modo menor, com o sexto grau maior. E os ritmos melódicos: semicolcheia, colcheia, semínima e mínima prolongada em compasso de dois por quatro. Harmônicas: emprego dos acordes de, em modo maior: a) I, V, IV graus, em ordem variável; b) I, II graus, com a terceira do acorde alterada ( fá sustenido); modo menor, I, IV grau, com a terceira alterada ( fá sustenido). Esses baiões eram executados nas sanfonas do sertão. Hoje estão orquestrados e tornados indispensáveis, contra-atacando o domínio do bolero, que recua. Ver Desafio, Xaxado e Rojão.


CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. Coleção Terra Brasilis. Rio de Janeiro. Ediouro, 1972. 128p. 
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