2.5.13

Virtuose elétrico - MÚSICA

Filho do criador da guitarra baiana, Armandinho é o destaque do VIII Festival da Música Instrumental
O veterano instrumentista, cantor e compositor baiano Armandinho, responsável pela invenção da guitarra baiana de cinco cordas, a partir do bandolim, é o convidado especial do VIII Festival da Música Instrumental. O evento acontece em Fortaleza, de 2 a 5 de maio, no Theatro José de Alencar. Promovido pelo Ministério da Cultura (Minc) e pelo Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), o festival promete mostrar a produção da música instrumental contemporânea nordestina.
O festival reune nove atrações entre artistas solo e grupos. As apresentações acontecem nas sedes do CCBNB, em Sousa (PB) e Juazeiro do Norte, no período até a 4 de maio.
Histórico

Armandinho se apresenta no sábado, às 19h40. Ele promete uma prévia do disco que está mixando - "Guitarra baiana". O lançamento está previsto para o segundo semestre. A música de Armandinho passeia pelo choro de Jacó do Bandolim, o rock de Jimi Hendrix, o trio elétrico de Dodó e Osmar e as fusões d´A Cor do Som, grupo que integrou na década de 1970, misturando jazz, rock e, claro, música brasileira. É essa mistura que promete apresentar no show de Fortaleza.
É sobre ela também que ele fala no bate-papo que acontece hoje, às 17h, na sede do CCBNB na Capital. Dia 3, toca para os paraibanos, na cidade de Sousa. Simpático, sempre disposto a falar sobre o que mais gosta: a música, não importa se instrumental ou cantada. "Tenho um trabalho instrumental muito forte", revela, aproveitando, "para parabenizar a organização do festival".

 


O instrumentista lembra da parceria com Fausto Nilo, na música "Zanzibar", que promete cantar no show. Sobre A Cor do Som revela que foi uma demonstração dessa mistura de música instrumental com música cantada. Serviu para abrir o caminho para a renascimento do chorinho, trabalho feito depois, na carreira solo, nos anos 1980. O trio elétrico está presente na obra do artista, que no ano passado gravou um disco em Tel Aviv (Israel). O contato com músicos israelenses surgiu em 1999, por intermédio de um percussionista brasileiro.
Armandinho antecipa sua fala no CCBNB e manda um recado às novas gerações de músicos: "Aprendam, ouçam de tudo, mas sem perder de vista as nossas raízes musicais". Nelas, explica, que reside o diferencial da sua arte.
Cordas

"Desde menino que tenho contato com os instrumentos elétricos. Quando entrei em contato com o rock, já tinha instrumento elétrico em casa", recorda. "Meu show é um apanhado disso tudo", diz, ressaltando ter colocado o bandolim na era da guitarra, do pop. No entanto, nunca fez um disco de rock, revela, afirmando que suas matrizes musicais são chorinho, frevo, com uma "levada roqueira".
Essa união de linguagens e ritmos é transposta para a música instrumental, falando do trabalho que realizou com o frevo pernambucano. A ligação com o frevo e com o choro foi responsável pela criação de um som "trioeletrizado", fazendo referência ao trio elétrico, em especial, à guitarra baiana e ao cavaquinho de quatro cordas, formando um frevo personalizado.
"O frevo se renovou e nos tornamos divulgadores dessa música com o toque da guitarra baiana". A inovação feita no frevo foi levada para o Clube do Choro, em Brasília. No início, houve uma certa resistência, as pessoas temiam a introdução da guitarra, justificando ser o choro música popular brasileira. Cita o trabalho "Pop choro" de 2009, no qual a guitarra baiana participa. Uma demonstração de que música de Armandinho é fruto de pesquisas, não ficando restritas ao universo nacional, são as viagens mundo afora. Todos os anos realiza turnê pela Europa.
Design

A pesquisa de Armandinho inclui também o desenho de guitarras baianas. Do instrumento tira notas que incluem desde a batida latina, puxada para o reggae de Santana, passando pelo Boleros de Ravel. "Com a guitarra baiana pode ser tocado qualquer ritmo, depende apenas do músico", destaca. "Digo sempre aos músicos que tentem ser o mais brasileiro possível", considerando fundamental a informação e saber o que está acontecendo no contexto da música mundial.
Conforme o músico, a base deve ser os nossos ritmos, justificando que eles fazem a diferença. "Tecnicamente tem gente destruindo os instrumentos mundo afora". Falo sempre aos músicos que "aprendam com o novo, mas fiquem ligados as nossas raízes". Elas são responsáveis pela personalidade da música de cada um. "Não adianta tocar da mesma forma dos americanos", diz, chamando a atenção para o diferencial da cultura musical brasileira.
Fortaleza

Tessi Letícia Barbosa, gerente de Cultura do CCBNB, explica que as apresentações do festival acontecerão a partir das 18h, de 2 a 5 de maio, no TJA. Na quinta e sexta-feira, serão dois shows por noite. No sábado e no domingo acontecerão três apresentações.
Barbosa ressalta a pluralidade do festival ao trazer um grupo de cada estado nordestino. O músico Armandinho realiza shows nas três cidades que recebem o festival. "Nossa intenção é trabalhar com artistas do País inteiro", diz, justificando que o objetivo do festival é fomentar e difundir a música instrumental.
Os shows são gratuitos. "O que a gente percebe é que há grupos fazendo música instrumental com qualidade", reconhece Tessi Letícia Barbosa. São vários os ritmos, passando pelo jazz, blues, MPB e os nordestinos. O evento contribui, ainda, para promover o intercâmbio entre os músicos que insistem e fazem música instrumental, embora a divulgação seja pouca.
Os grupos demonstram a versatilidade da música instrumental que está sendo produzida nos estados nordestinos. Dentre outros, destacam-se as criações do grupo de Alagoas " A Lá Sax Quarteto", que utiliza instrumentos de sopro. O "Viola de Arame", da Bahia, que trabalha com a viola de 10 cordas. Do Ceará, Thiago Almeida Trio e os pernambucanos do " Rivotrill", além dos instrumentistas Xisto Medeiros, da Paraíba e Chiquinho França do Maranhão, "Caninga Trio", do Rio Grande do Norte, "Quarteto Bumba Trio", do Piauí e "Café Pequeno", de Sergipe.
Mais informações

VIII Festival da Música Instrumental acontece de 2 a 5 de maio, no Theatro José de Alencar, a partir das 18h, grátis. De 30 de abril a 4 de maio, o festival acontece nos Centros Culturais do Banco do Nordeste em Sousa (PB) e Juazeiro do Norte (CE).
IRACEMA SALES
REPÓRTER

Diario do Nordeste

Caderno 3

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