24.4.15

Trombonista Silvio Giannetti lança seu primeiro álbum solo


Alexandre Gaioto
Metendo a boca no trombone da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo por duas décadas, Silvio Giannetti pôde se apresentar com figurões da MPB, como Ivan Lins, Hermeto Pascoal, Milton Nascimento e Edu Lobo.
Depois de uma vida inteira dedicada à música, o trombonista paulistano de 48 anos lança finalmente, de forma independente, seu primeiro álbum solo.
Em "Sambas & Choros", Silvio faz um apanhado do cancioneiro brazuca, mostrando suas caprichadas releituras para Jacob do Bandolim ("Bole-Bole"), Lupicínio Rodrigues ("Se Acaso Você Chegasse"), Ary Barroso ("Faceira") e Gonzaguinha ("E Vamos À Luta"), entre outros gigantes.
Ao Diário, ele fala sobre o desafio de lançar um álbum solo de trombone e avalia sua trajetória musical.
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O DIÁRIO Esse seu primeiro álbum ficou realmente muito bom. Você ficou satisfeito com o resultado de "Sambas & Chorosa"?
SILVIO GIANNETTI Nas primeiras duas músicas, eu ainda não tinha certeza que ficaria bom. Mas, a partir da terceira, tudo ficou muito claro. Conseguimos a fusão do choro tradicional com alguns sambas mais modernos, e gravei só o que gosto de tocar. Quis fazer um álbum que agradasse o público em geral, não só quem aprecia o trombone. Por isso, temos bons arranjos e, a todo momento, outros instrumentos solando, como o sax e o trompete.

Teve medo que o trombone soasse muito repetitivo?
Às vezes, ouço trombonistas internacionais, que são realmente muito bons, mas eles ficam sempre na mesma coisa. Você escuta o disco e é o mesmo timbre, do início ao fim. É enjoativo. Quis evitar isso no meu álbum.

Quais trombonistas são esses?
Ah, não quero citar nomes. Mas são trombonistas consagrados, que compõem as próprias músicas e têm técnicas sofisticadas. Mesmo assim: é enjoativo.

Você está lançando esse seu primeiro álbum, agora, aos 48 anos. Por que demorou tanto tempo?
Eu nunca tive vontade de gravar um álbum solo, nunca me vi como um artista solo. Acho que porque sempre trabalhei demais, passei vinte anos tocando na Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, além de ministrar aulas e participar das gravações de outros artistas do samba, do jazz, da música instrumental.

E na Banda Sinfônica qual era o seu repertório?
Tocávamos de tudo, do erudito à música popular. Executávamos Bach e Beethoven, mas também tocávamos sambas e frevos.

No encarte do álbum, você lembra que, quando começou a tocar, era muito difícil encontrar gravações de trombonistas, como as de Raul de Barros. Hoje, com toda a facilidade e o rico acervo do YouTube, temos melhores trombonistas ou há fácil acesso e poucos músicos interessados no instrumento?
Hoje tem mais informação, mas pouca gente querendo tocar trombone. Eu exploro muito o YouTube: lá tem coisas que eu nunca vi na vida, centenas de vídeos raros. Você pode procurar uma determinada música, interpretada por um determinado trombonista e há 90% de chance do vídeo estar lá. A gente tem que valorizar isso. A internet me ajudou e muito.

Por que não gravou nada autoral?
Fiz duas músicas, mas não gostei de nenhuma. Não sei dizer o motivo. Elas permanecem guardadas. Sempre acho que as coisas não estão boas o suficiente. Mas ainda estou mexendo nelas. Quem sabe não fica para o próximo CD? Quero lançar algo no próximo ano, voltado para a bossa nova.

Em três faixas, você abandona o trombone e solta a voz. Você se acha um bom cantor?
Olha, as pessoas dizem que sim (risos). Acho que sou, sim, um bom intérprete na voz e no trombone.
Divulgação
Silvio Giannetti: trombonista paulistano lança seu primeiro  contatos/amigos da rede social do autor.



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