11.1.14

Veteranos da música investem no streaming

Dr. Dre e Jimmy Iovine lançam o Beats Music para brigar com Google e iTunes

Ben Sisario, The New York Times - O Estado de S.Paulo

Jimmy Iovine, cuja carreira de produtor e executivo do setor de música se estende de John Lennon a Lady Gaga, mostrou, com orgulho, alguns dos seus sucessos durante uma tarde no mês passado, num estúdio de gravação. Caminhando pelas salas onde Eminem e Gwen Stefani gravaram discos, Iovine apontou para o equipamento em que Dr. Dre gravou, em 1992, seu álbum histórico, The Chronic.

Hoje, o rapper, produtor e sócio de Iovine é também um empresário bem sucedido, graças ao êxito bilionário de sua linha de fones de ouvido Beats, que entrou para a história. Mas Iovine ficou muito mais entusiasmado ao falar do seu novo projeto, Beats Music, um serviço de streaming mediante assinatura que criou com Dr.Dre e vai concorrer com Spotify, Pandora e o novo iTunes Radio da Apple na batalha sobre como as pessoas consomem música online.
Iovine, cuja habilidade como empresário e vendedor não tem rival no setor, aposta que o Beats Music pode resolver um problema que muitos fãs de música talvez não percebam que tenha: decidir o que ouvir. "A música que vem em seguida é tão importante quanto aquela que está sendo ouvida no momento", diz.

O Beats Music, que começa a funcionar nos Estados Unidos no dia 21 de janeiro, também pode ajudar a salvar um setor de música atribulado. Com as vendas de download de música caindo depois de uma década de crescimento, o streaming assumiu o lugar principal, considerado a nova e mais promissora fonte de receita.

Vencer esta batalha não é fácil. O mundo da música digital está em meio a uma convergência confusa de formatos, com downloads, rádio e streaming sendo compatibilizados e combinados para formar alguma coisa que agrade. O Beats Music ingressa num mercado repleto de competidores, incluindo Google, Sony e Microsoft.

Do mesmo modo que fez com os fones de ouvido, Iovine, que também é chairman do grupo Interscope Geffen A&M, do selo Universal, acredita que conseguirá criar um grande empreendimento onde hoje há somente um único nicho. A estratégia da Beats Music é dupla: ser um guia regular e persuasivamente humano de entretenimento no universo atabalhoado da música digital.

Super Bowl. Sua campanha de marketing será agressiva e incluirá um acordo de integração importante com a AT&T e até comerciais no Super Bowl: um bombardeio jamais visto no campo da música digital desde os comerciais do iTunes.

Aparentemente o Beats Music - que tem US$ 60 milhões de investimento e é afiliado da Beats Electronics, empresa de fones de ouvido - não é radicalmente diferente do Spotify, Rhapsody e qualquer das dezenas de aplicativos de música. Por US$ 10 ao mês, ele oferece acesso a praticamente todas as músicas gravadas.

A ideia é que o ousado apelo visual e a competência dos seus programadores (ou "curadores"), que oferecem somente a música ou a lista de músicas certa, provoque um verdadeiro frenesi entre os milhões de ouvintes que não foram seduzidos - ou ficaram confusos com o streaming de músicas.

Segundo Iovine e seus colegas, o ambiente da música online está cheio de sites sem graça, programas de recomendações quase robotizadas e sem a alma que é imprescindível na máquina. O Spotify e outros serviços do gênero recomendam as músicas aos usuários analisando enormes quantidades de dados.

O Beats também usa algoritmos para definir as canções que envia aos usuários com base em seus perfis e preferências musicais. A diferença, afirmam os executivos do Beats, é que seu serviço usa muito mais seus editores e programadores convidados, como a revista Rolling Stone e o site de crítica musical Pitchfork, e só recomenda material bom.

"Estamos convencidos de que há uma grande oportunidade neste campo ", disse David Christopher, diretor de marketing da AT&T Mobility. "A ideia é mudar a maneira que as pessoas pensam a música" / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO E ANNA CAPOVILLA

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,

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