5.6.13

A outra via do instrumental - MÚSICA

Letieres Leite apresenta o universo percussivo baiano com sua Orkestra Rumpilezz em show hoje à noite

Orquestra

Grupo tem chamado a atenção de público e mídia com suas pesquisas sonoras

PUBLICADO EM 04/06/13 - 03h00

THIAGO PEREIRA

“A música instrumental brasileira é orientada em dois polos muito claros: samba e baião. Eu percebi que existia uma terceira via”. Foi esse o estalo inicial para Letieres Leite começar a estudar, ainda nos anos 1980, a música afro-brasileira. “Ela tem raízes ancestrais, é próxima da música sacra”, completa. O resultado desta descoberta foi materializado na Orkestra Rumpilezz, que faz show hoje na capital mineira. Resultado de anos de estudo do maestro, o grupo foi criado em 2006 para abrigar  composições concebidas a partir de desenhos rítmicos do universo percussivo baiano.

A Orkestra é formada por 19  músicos de percussão, sopro e atabaques recrutados espontaneamente, “geralmente com os músicos mais próximos a mim no momento”, explica Leite. O álbum de estreia, que leva o nome do grupo, foi lançado em 2009, teve ótima repercussão, sendo premiado e elogiado pela crítica. Como resultado vieram convites para apresentações em eventos como o BMW Festival e a edição 2011 do Rock In Rio. “A recepção inicial foi uma surpresa muito grande, nunca imaginei que o trabalho pudesse gerar tanto público. Normalmente o instrumental aqui se apresenta em teatros. Faço instrumental há 30 anos, e isso não é comum”, diz o maestro.

Ele credita esse aumento de interesse ao próprio mercado de música em geral. “Hoje existem maiores possibilidades com a queda das grandes majors, os independentes passaram a se ajustar melhor. Criaram-se novos públicos, temos um mercado maior e mais estável, uma circulação que é dentro do tamanho que o instrumental possibilita”.

Pop. Outro fator importante para a divulgação da Orkestra Rumpilezz é o contato estabelecido com nomes de outros circuitos, como Ed Motta, Lucas Santtana e Mariana Aydar, pessoas que, segundo ele, “tem uma ligação forte com a tradição da música ancestral da Bahia e a reconhecem como um pilar da música brasileira”. Mais que isso, são artistas que já participaram de shows, elogiam o trabalho de Leite e até mesmo apontam raízes importantes. “Ed Motta me apresentou  a obra de Abigail Moura, por exemplo, que esteve à frente de uma orquestra afro-brasileira há muitas décadas atrás”. Mas sem sombra de dúvidas sua ligação mais forte com o mundo pop é Ivete Sangalo. Leite foi percussionista da cantora baiana por mais de uma década. Ele reconhece que a matéria-prima de seu trabalho com a cantora é a mesma, o universo percussivo baiano. Mas com outro acabamento. “A intenção é música para massa, tem rédeas de mercado, limitações; é preciso configurar o produto para determinado público”, explica. “Na orquestra, meu limite é o céu”.

O show de hoje é baseado no primeiro CD (este ano eles lançaram “Orkestra Rumpilezz Interpreta Caymmi”) e Leite reconhece no público mineiro uma plateia exigente, habituada a grande nomes na música instrumental como Toninho Horta e Nivaldo Ornellas, músicos com os quais quem inclusive já trabalhou. “Ainda quero estabelecer um encontro da música mineira com a música baiana. Tenho um arranjo para uma música de Milton Nascimento que espero algum dia poder apresentar”, revela. Para este possível encontro acontecer com a harmonia que merece, ele acaba revelando o segredo de sua orquestra. “A intenção é oferecer um música de sopro tocada percussivamente. O diferencial é usar outros recursos para descrever a tradição”, define o fundador da Rumpilezz.

Agenda
O QUÊ. Show da Orkestra Rumpilezz
QUANDO. Hoje às 20h30, no teatro Bradesco ( rua da Bahia,2.244, Lourdes)
QUANTO. R$ 30,00 (inteira);R$ 15,00 (meia-entrada)

Repertório
Músicas presentes no CD de estreia da Orkestra Rumpilezz

1. “A Grande Mãe”
2. “Anunciação”
3. “Aláfia”
4. “Floresta Azul”
5. “Taboão”
6. “Balendoah”
7. “Adupé Fafá”
8. “O Samba Nasceu na Bahia”
9. “Temporal”
10. “A Grande Mãe” (saída)

O TEMPO

http://www.otempo.com.br/

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