8.3.13

Política Cultural, Sem Categoria: Dança das cadeiras no Ministério da Cultura

Jotabê Medeiros
Desligou-se essa semana da direção do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada do Ministério da Cultura, o antropólogo José do Nascimento Junior, que estava no cargo desde a fundação do Ibram, em 2009. No lugar dele, assumirá interinamente Eneida Braga.
Nascimento Junior disse que tem intenção de continuar em Brasília, provavelmente cumprindo função nova em outra área do governo. “Estou vendo, analisando ainda algumas possibilidades”, disse. Ele afirmou não acreditar na hipótese de o órgão que criou ser extinto. “Acho que não é uma ideia da ministra. É um órgão consolidado, colocou os museus no centro da política cultural. Isso é inegável”.
Para Nascimento Junior, sua saída inscreve-se num “processo de mudança” natural, e ele diz que estava em vias de encerrar um ciclo de 10 anos na instituição. Seu desligamento configura uma “dança das cadeiras” no MinC, ordenada pela ministra Marta Suplicy. A ministra estaria fazendo uma “limpeza” dos principais assessores da pasta responsáveis por terem articulado a nomeação e dado suporte à antiga ministra, Ana de Hollanda, cuja gestão foi considerada “um desastre” por Marta e Dilma.
Outros que saíram foram o Secretário de Políticas Culturais, Sergio Mamberti (assumindo interinamente Américo Córdula) e o presidente da Fundação Cultural Palmares, Elói Araújo (que estava no cargo desde 2011 e chegou a ser ministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do governo Lula).
No dia 26 de fevereiro, foram designados por decreto da presidenta Dilma e da ministra Marta Suplicy os novos presidentes da Fundação Casa de Rui Barbosa (o historiador Manolo Garcia Florentino) e da Fundação Cultural Palmares (José Hilton Santos Almeida). Ao deixar o cargo, Elói Araújo mostrou-se surpreso. “Eu não estava esperando essa troca”, disse, a O Globo. “A Fundação Palmares está vivendo um momento extraordinário, trocando de sede e investindo todas as forças na construção do futuro Museu Nacional Afro-brasileiro, que reunirá em Brasília todo o acervo sobre tráfico negreiro e escravidão do país. Mas essas trocas fazem parte do jogo da administração pública. Marta é uma senadora muito qualificada. Sabe o que faz”.
Em janeiro, já tinha saído o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o arquiteto Luiz Fernando de Almeida, que presidia o órgão desde 2006. No lugar dele, entrou a também arquiteta Jurema de Sousa Machado. Resta apenas um personagem-chave da antiga equipe: Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

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