30.1.13

O Fole Roncou... e que continue roncando pelo Brasil!

Lizandra Pronin
artigos
30/11/2012 - 13h50
Redação TDM
No ano em que se comemora o centenário de Luiz Gonzaga, o rei do baião, responsável pela popularização do forró em todos os cantos do Brasil, eram esperadas diversas homenagens: shows, especiais, lançamentos, filmes. E um livro contando a história do forró cai muito bem nesse momento.
E foi o que fizeram os jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues em “O Fole Roncou - Uma História do Forró”. Fruto de uma pesquisa que incluiu mais de 80 entrevistas e acesso a documentos inéditos, a obra percorre sete décadas na história musical brasileira.
Centrados na emblemática figura de Luiz Gonzaga, os autores adicionam à obra os muitos personagens que ajudaram a construir e divulgar o estilo. Além de Gonzagão, estão nas mais de 450 páginas de “O Fole Roncou...”, Jackson do Pandeiro, Zé Calixto, Genival Lacerda, Marinês, Abdias, Dominguinhos, Trio Nordestino, Fagner, Elino Julião, Oswaldinho do Acordeon, Trio Mossoró. Com tanta gente citada, é uma pena o livro não ter um índice remissivo.
Nascido no Nordeste brasileiro, o estilo musical - que na verdade é uma mistura de estilos - cresceu com a migração dos retirantes que fugiam da seca e buscavam vida melhor no sul do País. “O Fole Roncou...” descreve como esse contexto favoreceu a divulgação da música regional nordestina em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Depois, no entanto, a fama do forró minguou devido à ascensão da Bossa Nova. Mas o forró reviveu com a MPB da década de 1970. E perdeu espaço para outras modas. E renasceu, mais uma vez, no forró eletrônico e do forró universitário.
Da seca e suas mazelas surgiram letras comoventes como “Asa Branca”, “Meu Cariri” e “Último Pau de Aarara”. Mas como nem só de tristeza vive o sertanejo nordestino, as letras de duplo sentido, safadas e às vezes apelativas - que chegaram a ser censuradas na época da ditadura – surgiram completando o balaio de gatos que é o forró.
Entre dados históricos, causos, trechos de letras de músicas e transcrições de gravações do programa de Pedro Sertanejo, o leitor se envolve em um mundo onde quem manda é o trio sanfona, zabumba e triângulo.
Como resumiu Biliu de Campina, cantor e compositor: “Esse negócio que a palavra forró veio de ‘for all’ é frescura. Vem de forrobodó, forrobodança, música do pé rapado, música da ralé. Significa festa, fuzarca, pagode, zamba, zambê, samba (...) Forró é um local onde se canta tudo., Forró é tudo”. Faz sentido.
O preço de “O Fole Roncou - Uma História do Forró”, sugerido pela editora, a Zahar, é de R$ 49,90 para a versão impressa e R$ 34,90 para a digital.
Além de contar uma história, o que os autores querem é valorizar a cultura brasileira. Como se o livro fosse um pequeno lembrete para que não esqueçamos nossa história.
Para quem quiser saber mais sobre o Forró, os autores mantém um blog sobre o livro: www.ofoleroncouolivro.wordpress.com
http://www.territoriodamusica.com/artigos/



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